Taxa de Escolarização: 10% das Crianças de 4 e 5 Anos não Frequentam Escola em 876 Cidades

Embora a inscrição em centros de educação infantil a partir dos 4 anos ser mandatória no território nacional, ainda existem crianças fora da escola. Em 16% dos municípios, isto é, 876 localidades brasileiras, pelo menos um em cada dez infantes de 4 e 5 anos não participa de creches ou pré-escolas.

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As disparidades são ainda mais significativas ao se considerar onde esses municípios se localizam. No Norte, 29%, equivalente a 130 localidades, apresentam menos de 90% das crianças matriculadas na educação infantil.

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A menor proporção está no sul do país, com 11% dos municípios com menos de 90% das crianças de 4 a 5 anos fora da escola.

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No Centro-Oeste são 21% dos municípios, ou 99; no Nordeste, 17% (304); e, no Sudeste, 13% (213). Os dados são relativos a 2025.

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As informações são provenientes do novo indicador de assistência escolar em nível municipal, elaborado pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) por meio de uma parceria com as fundações Bracell, Itaú, VélezReyes+, Van Leer e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A divulgação foi realizada nesta quarta-feira (29).

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Inscrições em creches

O Brasil tem como objetivo estabelecido em lei, no Plano Nacional de Educação (PNE), ter no mínimo 60% das crianças de até 3 anos matriculadas em creches até 2036, além de atender, no mínimo, 50% dessas crianças entre as populações indígenas, quilombolas e do campo.

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Pelo novo indicador proposto, a maioria dos municípios brasileiros, 81%, ou 4.485, registra percentuais inferiores a 60% de crianças nessa faixa etária em centros de educação infantil. No Norte, está também o maior percentual - são 94% dos municípios com índices inferiores a 60%, ou 424 localidades.

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Nas demais regiões os percentuais são: 90% no Centro-Oeste; 83% no Sudeste; 81% no Nordeste e, 66% no Sul, com atendimentos inferiores a 60% das crianças de até 3 anos em creches.

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Educação infantil nas capitais

Entre as capitais brasileiras, aquelas que já alcançaram a universalização do atendimento de crianças de 4 e 5 anos em centros de educação infantil, ou seja, atendem 100% dessas crianças são Vitória, Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte.

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As que apresentam os menores índices de atendimento são Maceió, com 64,8%; Macapá, com 71,4% e, João Pessoa, com 73,4%.

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As capitais com os maiores percentuais de atendimento de bebês e crianças de até 3 anos de idade são São Paulo, com 72,9% matriculadas em centros de educação infantil, Vitória, com 66,7%, e Belo Horizonte, com 63%. Todas apresentam atendimento superior à meta de 60% estabelecida no PNE para essa etapa nos próximos dez anos.

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Os piores índices de atendimento estão em Macapá, com 9,1% das crianças atendidas; Manaus, com 12,8% e Porto Velho, com 16,9%.

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Informações para os municípios

O novo indicador não é oficial, contudo, de acordo com as organizações responsáveis pela elaboração, oferece principalmente informações municipais mais precisas do que as disponíveis atualmente, as quais podem auxiliar os municípios a garantir o acesso escolar.

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São justamente os municípios, com base na Constituição, os principais encarregados de fornecer a educação infantil.

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Saber quantas crianças estão fora da escola é crucial até mesmo para realizar uma busca ativa, encontrá-las e assegurar que tenham acesso a esse direito, afirma o diretor executivo do Iede, Ernesto Martins Faria.

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“Como estamos tratando da educação infantil, que é de responsabilidade dos municípios, é essencial darmos uma resposta, para que eles visualizem a situação e realizem uma busca ativa de crianças que deveriam estar na escola e não estão. Logo, necessitam de um dado. Mesmo que possa haver certa imprecisão, necessitam de uma orientação. Especialmente considerando a situação em que possivelmente muitos municípios brasileiros têm uma taxa de atendimento muito aquém do desejado”, acrescenta.

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Atualmente, segundo Faria, as fontes de dados disponíveis para monitorar o atendimento nessa etapa de ensino possuem algumas limitações. O Censo Demográfico abrange todos os municípios, mas é realizado somente a cada dez anos. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc) fornece dados anuais, porém restritos aos níveis nacional, estadual, regiões metropolitanas e capitais.

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O novo indicador emprega dados do Censo Escolar e projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas pelo Datasus, para estimar a cobertura anual em creches e pré-escolas em todos os municípios brasileiros. Ele também busca uma maior precisão quanto à idade das crianças.

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Oficialmente, os dados do IBGE divulgados em dezembro de 2025, referentes a 2024, mostram que 39,7% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em escolas, e 93,5% daquelas de 4 a 5 anos.

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Possuir informações mais precisas em nível municipal indica que a cobertura escolar pode ser ainda mais crítica em algumas localidades, que requerem atenção.

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“Ainda há algo muito substancial para analisar no que tange ao atendimento. Notadamente para 4 e 5 [anos], que é obrigatório. Foi um avanço considerável mirarmos essa universalização, porém há progressos significativos a serem alcançados ao compreender que muitos municípios enfrentam esse desafio de acesso”, afirma o diretor.

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Ministério da Educação 

Questionado, o Ministério da Educação (MEC) comunicou que os indicadores oficiais utilizados pela pasta são “confiáveis, precisos e coerentes” tanto para monitorar o cumprimento das metas do PNE quanto para orientar a tomada de decisões de políticas públicas. O Ministério ainda complementou que cruzamentos e análises são possíveis devido à disponibilização das bases de dados públicas, como as do Datasus. 

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Em relação à educação infantil, o MEC afirma que vem “intensificando as ações para apoiar os municípios, responsáveis diretos pela educação infantil, na ampliação do acesso com qualidade a essa etapa de ensino”.

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A pasta menciona como um dos principais instrumentos o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que reúne mais de 2,5 mil entes federados. 

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O MEC destaca também o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que desde o início da atual gestão, entregou 886 unidades de educação infantil, com investimento de R$ 1,4 bilhão.

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O Novo PAC, de acordo com o MEC, ainda viabilizará 1.684 novas creches e escolas de educação infantil, beneficiando 1.438 municípios, com investimento total de R$ 7,5 bilhões. Deste montante, 821 unidades estão em execução.

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Outra prioridade é a retomada e conclusão de obras paralisadas e inacabadas. Das 1.318 unidades de educação infantil que demonstraram interesse em retomar as construções, 904 foram aprovadas e 278 foram concluídas. Ao todo, essas unidades têm potencial para gerar mais de 323 mil novas vagas em dois turnos, ou cerca de 161 mil vagas em tempo integral.

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“Esses dados evidenciam uma mudança de prioridade na gestão, com a ampliação dos investimentos recentes para dar mais condições aos municípios de abrir vagas, garantindo o atendimento pleno e atuando de forma proativa para superar as lacunas ainda existentes na educação infantil brasileira”, afirma.

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Fonte: Agência Brasil

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