No segundo dia do Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro, realizado nessa terça-feira (24), ocorreu cinco debates com o intuito de discutir as políticas de alfabetização sob diferentes prismas — desde a interação entre pesquisadores e gestores até a prática pedagógica, passando por temáticas como desigualdades, diversidade, direitos humanos, sustentabilidade e seu impacto no desenvolvimento social e econômico. O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do MEC no YouTube, com tradução simultânea para português, espanhol e Língua Brasileira de Sinais (Libras), ampliando o acesso e a participação de diferentes regiões interessadas no tema.
O encontro, promovido pelo Ministério da Educação (MEC), faz parte do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada e busca estabelecer uma cooperação regional na América Latina para fortalecer políticas públicas baseadas em evidências que garantam a alfabetização plena de todas as crianças no prazo previsto. Participam representantes da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai, secretarias de educação estaduais e municipais, organizações internacionais, universidades, redes de pesquisa, movimentos sociais e sociedade civil.
Debate 6 – O primeiro painel do dia, e o sexto do encontro, abordou o tema “Políticas de Alfabetização em Perspectiva: Diálogo entre Pesquisadores e Gestores Públicos”. Pesquisadoras latino-americanas trouxeram evidências sobre alfabetização e discutiram a contribuição da pesquisa acadêmica para a formulação e implementação de políticas educacionais.
No debate, participaram a professora do Programa Interdisciplinário de Investigações em Educação (Chile), Tatiana Cisternas León; a presidente da Rede Latinoamericana de Alfabetização (Brasil), Giovana Zen; e a diretora de Educação Primária da Província de Buenos Aires (Argentina), Mirta Torres, com mediação da representante da Rede Latinoamericana de Alfabetização, Rosaura Soligo.
A partir de perguntas norteadoras, as convidadas discutiram como a pesquisa tem analisado as políticas de alfabetização, como o conhecimento produzido tem influenciado tais políticas, e de que forma a desigualdade e equidade são consideradas na América Latina tanto pela pesquisa quanto pela gestão pública.
Refletindo sobre a relação entre pesquisa e política educacional, Tatiana León destacou que “falar sobre políticas educacionais em alfabetização e sua relação com a pesquisa educacional me faz lembrar que ambas atividades estão inseridas em uma cultura, tempo e espaço específicos. A pesquisa, em todas as áreas, possui um forte componente de tomada de decisão”.
Giovana Zen ressaltou as mudanças conceituais provocadas por estudos sobre a aprendizagem da escrita. “Esses pesquisadores, ao compreenderem a atividade mental das crianças em seus processos de apropriação, redefiniram o objeto de conhecimento reconhecendo a escrita não apenas como um código de transcrição, mas como um sistema de representação da linguagem”.
Já Mirta Torres enfatizou o aspecto ético e político da atuação dos profissionais da educação. “Voltem deste encontro de forma institucionalizada, bem preparados para intervir da maneira mais adequada possível. O tempo nos obriga a tentar aproximar essas crianças das possibilidades de continuar aprendendo em diversas áreas, algo que a linguagem escrita viabiliza”.
Debate 7 – Na sequência, o debate abordou as “Políticas de Alfabetização em Perspectiva: Diversidades, Desigualdades e o Desafio da Equidade Educacional”. As pesquisadoras ilustraram a desigualdade educacional na alfabetização em seus respectivos países, destacando questões emergentes tanto da pesquisa quanto da gestão pública.
Liliana Miranda salientou que “as crianças em toda a região não partem de uma base igualitária, nossos países são extremamente desiguais, e uma síntese do diagnóstico da desigualdade de alfabetização na região mostra um padrão persistente: a origem social, territorial e linguística”.
Josélia Gomes Neves enfatizou a necessidade de reinterpretar conceitos reducionistas sobre as infâncias indígenas. “Precisamos enxergar as crianças indígenas como seres que detêm conhecimento, observam, tiram conclusões, e não apenas seguindo a concepção tradicional de que as meninas aprendem apenas com as mães e os meninos apenas com os pais”.
Graciela Quinteros destacou os impactos da supressão linguística nas comunidades nativas. “O deslocamento progressivo das línguas indígenas afeta a tradição oral, impactando diretamente a vida das pessoas. Tudo está vinculado à tradição oral”.
Debate 8 – O painel “Políticas de Alfabetização em Perspectiva: Prática Docente em Questão” apresentou evidências sobre alfabetização realizadas por pesquisadoras latino-americanas, com foco nas questões relacionadas à prática pedagógica, à didática da alfabetização e ao processo de aprendizagem da leitura e escrita.
Telma Leal reforçou a compreensão ampla do processo de alfabetização. “A alfabetização deve envolver o aprendizado da leitura, escrita, fala, audição, e a apropriação, através da leitura, da escrita, da fala e da audição, de conhecimentos relevantes para a vida”.
Nicole Paulet enfatizou a dimensão cidadã inserida nesse processo. “Estamos falando não apenas da aprendizagem de um código, mas sim de um conjunto de conhecimentos e habilidades essenciais para a cidadania e para a redução das desigualdades”.
Fernando Oliveira sublinhou a importância da formação docente nas estratégias públicas. “As pesquisas têm demonstrado que uma política pública eficaz na alfabetização precisa, antes de tudo, colocar o professor e sua formação como peça central, pois ele é quem realiza a alfabetização no dia a dia da sala de aula”.
Debate 9 – Com o tema “Alfabetização e Infâncias: Cultura, Sustentabilidade, Relações Étnico-Raciais e Direitos Humanos”, os debatedores ressaltaram as conexões entre o direito à alfabetização e outras dimensões das infâncias, evidenciando questões culturais, de sustentabilidade e garantia de direitos humanos.
Edel Moraes destacou a dimensão cultural da alfabetização. “Alfabetizar é mais que ensinar a ler palavras, é ensinar a ler o mundo. Para nós, a alfabetização está intrinsecamente ligada ao reconhecimento cultural, visto que as infâncias na América Latina são diversas”.
Bárbara Souza enfatizou a importância da igualdade racial para o desenvolvimento. “Não há verdadeiro desenvolvimento, nem justiça social sem igualdade racial. Daí a importância da transversalidade da política educacional com as políticas de meio ambiente, igualdade racial, cultura e direitos humanos”.
Fabiano Piúba ressaltou o papel fundamental da formação artística e cultural no ambiente escolar. “Uma escola que negligencia o ensino das artes e a experiência cultural em seu ambiente é uma escola limitante e opressiva, especialmente em um país onde o acesso à cultura não é igualmente garantido a todos”.
Pilar Lacerda sublinhou a importância do fortalecimento institucional na proteção das infâncias. “Precisamos reforçar cada vez mais o sistema de garantia de direitos, agir de forma transformadora”.
Debate 10 – O último debate do dia abordou as “Políticas de Alfabetização na Perspectiva do Desenvolvimento Social e Econômico no Continente”, apresentando experiências de mobilização social e política em torno da alfabetização em diferentes países da América Latina, evidenciando estratégias para garantir o envolvimento da sociedade na promoção desse direito.
Durante o debate, os participantes destacaram a importância estratégica dos professores na consolidação de um Estado desenvolvido.
Para mais informações sobre o evento, acesse a página oficial do evento.
Compromisso – O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) é uma iniciativa que visa garantir a alfabetização de todas as crianças brasileiras ao final do 2º ano do ensino fundamental. Esse compromisso busca também recuperar as aprendizagens, focando na alfabetização de todas as crianças matriculadas nos anos seguintes, diante dos desafios decorrentes da pandemia.
O CNCA não propõe uma solução única para o país, permitindo que cada estado, em colaboração com seus municípios, desenvolva sua própria política de alfabetização de acordo com suas particularidades.
Transmissões:
- Dia 1 – Manhã: Português | Espanhol
- Dia 1 – Tarde: Português | Espanhol
- Dia 2 – Manhã: Português | Espanhol
- Dia 2 – Tarde: Português | Espanhol
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Básica (SEB)



